Fiz essa foto há 17 anos, durante uma expedição de filmagem de documentários para a Fox / National Geographic, lá de cima do Morro de São José, com as devidas autorizações do IBAMA, que depois deu lugar ao ICMBio na gestão do Parque Nacional Marinho.
Nosso “barco-casa”, o trawler Trindade, aparece ali em segundo plano. O Mergulhão II, da Águas Claras (da qual eu era sócio na época) aparece voltando da operação de mergulho sob ocomando do Jorjão, que ainda trabalha lá. Na minha opinião, o melhor e mais completo comandande de Noronha.
Na época nem se falava de fotografia digital, redes sociais, etc. Gastávamos um bom dinheiro em filmes fotográficos, revelação e ampliação. Para economizar um troco (filmes bons eram caros!), comprava rolos grandes e rebobinava para dentro daqueles casulinhos de mais ou menos 36 poses, que pedíamos nas lojas de revelação. Uma espécie de reciclagem numa época em que o termo era pouco difundido. Cada viagem, cada mergulho significava um planejamento prévio de quantos rolos de filme levaria, quantos clics faria debaixo da água. Um mergulho permitia até 36 fotos, um pouco mais, um pouco menos. Rebobinar filmes não era ciência exata. Mas o processo todo era muito prazeroso, ainda que muito mais trabalhoso do que o atual. Hoje fazemos 1.000 fotos em um dia sem nem pestanejar, e numa sentada no laptop administramos tudo isso rapidamente.
Outra curiosidade, esta, para gerar um pouco de reflexão ambiental-econômica: não se vê nenhum outro barco além dos dois citados. Hoje em dia, esta foto mostraria vários e vários barcos em suas poitas na frente do porto. Turismo e preservação ambiental podem e devem andar de mãos dadas, sempre acreditei nisso. Mas… Enfim, sem polêmicas nem saudosismo, está aí um registro histórico de uma Noronha ultra charmosa e encantadora, aquela que me fisgou o coração em 1994 e me resgatou do caos de São Paulo em 1996.