Na iminência de completar 100 episódios do Globo Repórter (o segundo lugar neste "ranking" não soma a metade disso) o repórter Francisco José esbanja disposição e determinação em seus trabalhos. Nos conhecemos em Fernando de Noronha há duas cécadas, trabalhando em um desses 100. Ele um velho admirador da ilha, que já frequentava enquanto eu engatinhava em São Paulo. Em suas muitas matérias gravadas aqui, sempre valorizou os moradores e atuou como uma espécie de embaixador de Noronha.
De lá para cá, tive o enorme prazer de voltar a trabalhar com ele inúmeras vezes, perdi a conta. Rodamos o Mundo. Nos tornamos amigos, tenho orgulho de dizer. Não um orgulho desses de adorar celebridades, não dou a mínima para isso, nem ele gostaria de ser chamado assim. Orgulho pelo que ele representa para o jornalismo de forma geral e, mais especificamente, aos programas voltados para a Natureza na TV brasileira, o que seria meu principal foco de trabalho. Ninguém no Brasil abordou as múltiplas faces da Natureza por tantas vezes, por tanto tempo, como o Chico.
Fiz outros "Globo Repórter" com outras equipes e sempre gostei das diferentes abordagens e dos resultados. Mas os trabalhos do Chico têm sua marca registrada, sua forma direta de tratar dos assuntos numa linguagem que abraça a todos os espectadores de qualquer região do país, de qualquer classe social, o que não é nada fácil. Seu compromisso com a verdade e com a qualidade final dso programas são uma grande fonte de inspiração. Nos bastidores, compartilha com a equipe as histórias vividas nas décadas de sua carreira com detalhes que não só prendem a atenção, como provam sua invejável memória. Devorei em poucos dias seu livro "40 Anos no Ar", em que compartilha algumas das melhores dessas histórias, como se estivesse num bate papo com amigos. Quase dá para ouvir sua voz ao ler os textos. A foto que ilustra esse post foi feita na Patagônia chilena, numa dessas aventuras constantes do livro, durante gravações em que subimos glaciares, contornamos o temido Cabo Horn (onde o vento literalmente faz a curva no "fim do mundo", extremo sul do continente americano) e mergulhamos em águas congelantes.
E sabem de uma coisa? Para a sorte e deleite de todos nós, novas aventuras estão a caminho! Em nome das equipes e dos espectadores, posso dizer: estamos juntos, meu caro Chico!